quinta-feira, agosto 21, 2008


Falaste ao meu coração.
Oiço o teu sentir,
o palpitar das tuas preocupações e dores.
Inspiro-te em mim de novo,
respiro esse renovado ser que emanas do teu renascer.
Palavras [ainda] ásperas na sinceridade da tua voz.
Ecos nossos, de memórias flutuantes e latentes em mim.
Palavras agridoces que me apaixonam
Palavras tuas que me tocam,
na inspiração que se renova e reaparece

terça-feira, agosto 12, 2008

caminha


Caminha no percorrer da manhã por entre rostos desconhecidos
Na esperança que um deles a encontre e se reveja
[na sua expressão doce e melancólica.]
Caminha para não estagnar
Passo a passo revê-se na calçada
Suja e triste…
demasiadamente pisada e espezinhada.
Caminha sobre o cinzento que a caracteriza
Que tanto gosta e veste sem pudor.
Um cinzento que não reflecte o seu céu,
A sua felicidade
O seu mundo.
Caminha para viver e reviver
Caminha para se manter
Caminha para não se perder.

terça-feira, julho 22, 2008

Resvala


Sinto o toque do chão a esquivar-se dos meandros do meu passo inseguro e revelador.
Balanço, num resvalar, para outro mundo, outro lugar.
A ânsia desse toque (o teu toque) desperta-me para o outro lado da vida. Profano e libertador, que muitos aceitam, mas não compreendem.
Eu compreendo, e finjo não aceitar.
Compreendo as tuas ausências e carências...sao minhas também.
Mas tu trazes a certeza no olhar. Talvez para avaçar com a incerteza do meu passo...
Um dia, contrariamente ao que gosto, vais-me ter em tua mão, vais ser tu a comandar o andar, este nosso andar, e não eu... Não gosto de coisas não controladas e inesperadas, mas admito que a tua certeza desinteressada cativa-me a deixar-me levar.
És tempo inesperado em estação pré-anunciada.
Um dia destes acertamos o passo...para onde me levarás a seguir ninguém sabe.
Espontaneidade, a tua, que me agarra.
Agora não corras, deixa andar.
Havemos de ser passo num caminhar único.

sábado, junho 28, 2008

mar nosso

Quando pensei em nós,
as lembranças boas invadiram o meu sonhar.
Quando pensei em ti,
sobrou um resto de nada em mim.
Porque me deixas assim tão solta ,
em meu vagar,
tão alentada da tua esperança. . .
na espectativa que me prendas um dia,
que me abraces,
como se me tivesses perdido e reencontrado.
Deixas-me à deriva,
quando sabes ser o meu porto seguro,
vagueio nesta maré,
esperando que apanhes uma onda minha.
Experimenta esta espuma,
cristalina em mim,
e vem ao meu encontro.

segunda-feira, junho 16, 2008

amadores literários

Desconheces a arte e o enredo do meu dialecto.

A minha linguística não é abrangida pelo teu dicionário,

agora inócuo, abstracto e vulgar.

Há muito que deixámos de falar a mesma língua.

Já não existe universalidade na nossa leitura intemporal e perfeita.

Corrompeste o nosso palavreado sentido

Corrompeste o nosso amor.

Palavras vãs no livro da vida

Páginas soltas em nós.

domingo, junho 01, 2008

Desacreditada

Desacreditas a minha esperança em nós.
O meu esforço não chega ao teu pesar lamurioso e inoportuno.
Começa a não chegar-me, somente, a tua actividade lenta e vã,
espectando que eu me cegue, e seja a solução.
Começa a não chegar...
Já não despertas muito interesse em mim que não o da mágoa e desilusão.
Deixei de esperar algo de ti...
[atrasaste o nosso relógio, e já não tenho forças para o acertar.]
A palavra que se impunha ser dita no dia de hoje, não ousaste pronunciá-la.
E assim perdes mais um pouco de mim...
a cada dia, a cada instante..
a cada erro,a cada ausência...
O teu erro, a minha mágoa. a tua ausência, a minha desilusão
previamente anunciada e esquecida.
Ocultas-me quem foste, não te revejo hoje em meu sentir...e o quanto dói este sentir

sábado, maio 17, 2008

se calhar. . .

Recostada nesta cadeira, ao cheiro do café e com a tua presença em meu olhar, vejo que nada em nós mudou.
No entanto, continua a faltar algo. . .
Sinto que me cortaste a inspiração, mesmo sem teres puxado o fio.
Não te encontro em minhas palavras.
Os versos que aqui deixo demoram a sair, não fluêm em mim, não fluêm para nós. Já não revelo poemas sentidos ao mundo, escondidos nas linhas entrelaçadas de meus textos.
Deixaste-me sem me teres deixado.
Abandonaste-nos sem que ouvisses o que sentia, o que escorria de dentro de mim, e eu cansei-me. . . sem que deixasse que me tirasses o fôlego.
Agora sou incerteza em ti.
Já não consegues ler o reboliço de pensamentos e sentimentos que preservo nestas (entre)linhas.
Deixámos de ser sintonia monocromática num mundo de cores.
[se calhar já em nada estamos iguais, se calhar tudo mudou]